DESASSOSSEGO


08/10/2005


Porta Da Alma

Como posso eu
Por você não mais sofrer?
Se tudo conspira contra...
Se é impossível...
Impossível ter...
Impossível esquecer?
Nossos caminhos um dia se cruzaram...
Por instantes tão mágicos e intensos.
Ficaram marcados na pele, tatuados...
Selados no coração
E na alma.
Você me disse um dia
Que os olhos são a porta da alma.
Nos olhamos...
Nos apaixonamos...
Enlouquecemos...
Erramos, aprendemos.
Dividimos experiências.
E você marcou...
Lá no fundo da minha alma.
Eu abri a porta...
Deveria ter fechado os olhos
Pelo menos salvaria
A minha alma.

Escrito por Míriã Barbosa às 00h32
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Te espero...  

Te espero...
Não sentada e enraizada
Não deixo os dias passarem por mim.
Te espero...
Apenas triste
Disfarço num sorriso
O vazio que insiste.
Te espero...
Mas vivo
Vôo
Aterrizo
Minha alma pede arte
Poesia
Amor em qualquer parte
Me pinto
Me enfeito
Mesmo que não surta efeito
Mesmo que não vejas
Não sintas
Mas sei que acreditas
Assim como eu
Que o amor quando é forte
A gente encontra

Como uma bússula
Que aponta pro norte.

Escrito por Míriã Barbosa às 00h29
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E você?

Enfrento os espinhos
Me sento nas rosas
Inspiro o perfume
Exalo paixão
Visto vermelho
Subo alto
Me entrego pro amor
Faço pose
Falo alto
Declaro meu amor
Não escondo meus defeitos
Tiro o salto
Solto os cabelos
Me mostro como sou
Ouso
Arrisco
Vivo
Amo.
E você?
Enfrentaria os espinhos?

Escrito por Míriã Barbosa às 00h27
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AH, EU QUERIA...

Queria asas para voar
Uma varinha para realizar
Uma bola de cristal para prever
Uma tatuagem sem doer.

Queria andar descalça
Queria não me preocupar
Queria te olhar nos olhos
E neles me enxergar.

Queria só dias de sol
Chuva passageira
Borboletas voando
Flores na floreira.

Queria ele na minha rotina
Palavras sinceras que não fizessem doer
Que o tempo parasse
Pro nosso amor acontecer.

Escrito por Míriã Barbosa às 00h20
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O sol aquece
Eu adormeço
O sonho acontece
É você quem eu vejo.
Me encontra em cada sono
Se despede em cada despertar
Me ama de novo...
Me deixa a te esperar.
E que em cada encontro
Fique em mim tua essência,
E em ti, meu amor
Não a minha ausência.
Que tu me vejas e me sinta
Onde quer que estejas...

 

Escrito por Míriã Barbosa às 00h19
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05/10/2005


Inconstância

Procurei o amor, que me mentiu.
Pedi à Vida mais do que ela dava;
Eterna sonhadora edificava
Meu castelo de luz que me caiu!

Tanto clarão nas trevas refulgiu,
E tanto beijo a boca me queimava!
E era o sol que os longes deslumbrava
Igual a tanto sol que me fugiu!

Passei a vida a amar e a esquecer...
Atrás do sol dum dia outro a aquecer
As brumas dos atalhos por onde ando...

E este amor que assim me vai fugindo
É igual a outro amor que vai surgindo,
Que há-de partir também... nem eu sei quando...

Escrito por Míriã Barbosa às 23h40
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Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."Quando me dizem isto, toda a graçaDuma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!..."

 

 

Escrito por Míriã Barbosa às 23h32
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Saudades
Florbela Espanca

Saudades! Sim... Talvez... e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!

Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como o pão!

Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!

E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!

 

Escrito por Míriã Barbosa às 23h26
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