DESASSOSSEGO


09/12/2005


Todo Sentimento


Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo
Da gente
Preciso conduzir
Um tempo de te amar
Te amando devagar
E urgentemente
Preciso descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez
Que recolhe todo o sentimento
E bota no corpo uma outra vez 

Prometo te querer
Até o amor cair
doente.
Doente
Prefiro então partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente
Depois de te perder
Te encontro, com certeza
Talvez num tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei, como encantado
Ao lado teu.

Chico Buarque e Cristóvão Bastos

Escrito por Míriã Barbosa às 22h47
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Hoje, resolvi trocar todas as fotos de meu mural. Troquei as perspectivas, os olhares, os sorrisos, as lágrimas. Resolvi sentir nova saudade de antigos momentos. No meio de tudo isso, perdi antigos amigos e antigos amores. Ganhei novas lembranças e recuperei alguns sonhos, todos devidamente registrados em papel e na minha retina. Uma vez li em algum lugar que o mais fascinante das fotografias era o fato de podermos reter para sempre, em uma fração de segundo, um momento qualquer que, depois de impresso, passa a eternidade, não pertencendo a mais ninguém. Hoje, resolvi trocar todas as fotos de meu mural. Olhar para novos antigos momentos que vi e ninguém mais sentiu. Sempre que olho para antigas fotografias, tenho a impressão de estar buscando alguma coisa que se perdeu no tempo. Sinto saudade dessa alguma coisa, assim como sinto saudade do tempo. Não gosto de sentir saudade. Não gosto mais. Como bem disse Chico Buarque, a saudade é o revés do parto; dói como um barco que, aos poucos, descreve um arco e evita atracar no cais. E por ser ela, justamente, o pior dos castigos, não quero mais senti-la. Nem mesmo hoje que resolvi trocar todas as fotos de meu mural.

Escrito por Míriã Barbosa às 22h44
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Foi ali, naquela rápida e furtiva esquina que achei um lugar para voltar a recomeçar.

 Observando a densa coreografia do cotidiano, fui me reinventando.

Braços, pernas, mãos e pés. Com alguns sorrisos, sequei as lágrimas.

Fechei suas portas e abri minhas janelas. Icei todas as minhas velas e resolvi ir em frente.

 Não tenho mais tempo a perder, não vou esperar pelo amanhã.

 

Escrito por Míriã Barbosa às 22h43
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Quando nossos olhares se cruzaram, era como se eu olhasse para um fogueira que soltava fagulhas.

Me senti queimar, arder em brasa.

 Não conseguia sustentar meus olhos, embora quisesse.

Não queria sustentar meus olhas, embora conseguisse.

Resolvi fechá-los por breves segundos,

mas tua presença se fazia sentir no perfume que me envolvia,

no barulho lento de tua respiração.

Queria saber o que passava em tua cabeça.

Num ato de coragem, te olhei de soslaio, enquanto tuas palavras invadiam meu ouvido.

Tu eras como as estrelas: se olhássemos de frente, não conseguiríamos ver bem,

pois era no canto do olho que teu brilho residia. A quentura que irradiavas me fazia suar, tremer.

Aflito, terminei a conversa de modo meio brusco.

 Olhei para o céu, torcendo para que chovesse.

Escrito por Míriã Barbosa às 22h42
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Procure

 "... Procure os seus caminhos,

mas não magoe ninguém nessa procura.

Arrependa-se, volte atrás, peça perdão!

Não se acostume com o que não o faz feliz,

revolte-se quando julgar necessário.

Alague seu coração de esperanças,

mas não deixe que ele se afogue nelas.

Se achar que precisa voltar, volte!

Se perceber que precisa seguir, siga!

Se estiver tudo errado, comece novamente.

Se estiver tudo certo, continue.

Se sentir saudades, mate-a.

Se perder um amor, não se perca!

Se o achar, segure-o!"

[Fernando Pessoa]

Escrito por Míriã Barbosa às 22h39
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Nunca ande pelo caminho traçado,

pois ele só leva até onde os outros já foram.

Albert Eistein

Escrito por Míriã Barbosa às 21h29
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