DESASSOSSEGO


14/11/2006


AFINIDADE
 

::Arthur da Távola::

 

Não é o mais brilhante, mas é o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos. O mais independente, também. Não importam o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades: quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto, no exato ponto em que ele foi interrompido, ontem ou há 40 anos.

 

É não haver tempo mediando a vida. É uma vitória do adivinhado sobre o real. Do subjetivo sobre o objetivo. Do permanente sobre o passageiro. Do básico sobre o superficial. É rara. Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar. Ela existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas.

 

O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples e claro de sua boca diante de alguém com quem tem afinidade. É ficar de longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam. É ficar conversando sem trocar uma palavra. É receber o que vem do outro com uma aceitação anterior ao entendimento. É sentir com. Nem sentir "contra", nem sentir "para", nem sentir "pelo".

 

É sentimento singular, discreto. Não precisa nem do amor. Pode existir quando ele está presente ou quando não está. Independe dele mesmo sendo sua filha. Pode existir a quilômetros de distância. É adivinhado na maneira de falar, de escrever, de andar, até de respirar. É linguagem secreta do cérebro, ainda não estudada.

 

Além de prescindir do tempo e ser a ele superior, ela vence a morte porque cada um de nós traz afinidades ancestrais no inconsciente e que se prolongam nas células dos que nascem de nós e vão para encontrar sintonias futuras nas quais estaremos presentes mesmo mortos (mortos?) há tantos anos. É ter estragos semelhantes e iguais esperanças permanecentes. É conversar no silêncio, tanto das possibilidades exercidas quanto das impossibilidades vividas.

 

É retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo da separação. Porque ele (tempo) e ela (separação) nunca existiram. Foram apenas as oportunidades dadas (ou tiradas) pela vida, para que a maturação comum pudesse se dar. E para que cada pessoa possa ser, cada vez mais, a expressão do outro sob a forma ampliada e refletida do eu individual aprimorado.

 

Sensível é a afinidade. E exigente, apenas de uma coisa: que as pessoas evoluam parecido. Que a erosão, amadurecimento ou aperfeiçoamento sejam do mesmo grau.

 

É o mais sutil e delicado dos sentimentos

Escrito por Míriã Barbosa às 18h03
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09/11/2006


A Elegância do Comportamento


As pessoas geralmente se preocupam com a aparência física e se esmeram para  mostrar uma certa elegância, de acordo com suas possibilidades.
Isso é  natural do ser humano. Tanto que muitos buscam escolas que ensinam boas  maneiras. No entanto, existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez  por  isso,  esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento.
É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.
É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir  e que se manifesta nas situações mais corriqueiras, quando não há  festa  alguma nem fotógrafos por perto: uma elegância desobrigada.
É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das maldades ampliadas de boca em boca.
É possível detectá-la também nas pessoas que não usam um tom superior de voz. Nas pessoas que evitam assuntos  constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.
É uma elegância que se pode observar em pessoas pontuais, que respeitam o  tempo dos outros e seu próprio tempo.
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece. É quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária  que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não.
É elegante não ficar espaçoso demais. Não mudar seu estilo apenas para se  adaptar ao de outro.
É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.
É elegante retribuir carinho e solidariedade.
Sobrenome, cargo e jóias não substituem a elegância do gesto. Não há livro de etiqueta que Ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo e a viver  nele sem arrogância. Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural através  da observação, mas  tentar imitá-la é improdutivo.
A pessoa de comportamento elegante fala no mesmo tom de voz com todos os indivíduos, indistintamente. Ter comportamento elegante é ser gentil sem afetação.
É ser amigo sem conivência negativa.
Ser sincero sem agressividade.
É ser humilde sem relaxamento.
Ser cordial sem fingimento.
É  ser simples com sobriedade.
É ter capacidade de perdoar sem fazer alarde.
É superar dificuldades com fé e coragem.
É saber desarmar a violência com mansuetude e alcançar a vitória sem se vangloriar.
Enfim, elegância de comportamento não é algo que se tem, é algo que se é.
Mais do que decorar regras de etiqueta e elaborar gestos ensaiados, é preciso desenvolver a verdadeira elegância de comportamento. Importante  que cada gesto seja sincero, que cada atitude  tenha  sobriedade.
A verdadeira elegância é a do caráter, porque procede da essência do ser....


Martins Guerra Consultoria em Gestão de Pessoas

Escrito por Míriã Barbosa às 23h42
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29/07/2006


Amigo(a),
 
Você pode ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não se esqueça de que sua vida é a maior empresa do mundo.
E você pode evitar que ela vá a falência.

Há muitas pessoas que precisam, admiram e torcem por você.
Gostaria que você sempre se lembrasse de que ser feliz
não é ter um céu sem tempestade, caminhos sem acidentes,
trabalhos sem fadigas, relacionamentos sem desilusões.

Ser feliz é encontrar força no perdão, esperança nas batalhas,
segurança no palco do medo, amor nos desencontros.

Ser feliz não é apenas valorizar o sorriso,
mas refletir sobre a tristeza.

Não é apenas comemorar o sucesso,
mas aprender lições nos
fracassos.

Não é apenas ter júbilo nos aplausos,
mas encontrar alegria no anonimato.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver,
apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.

É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.

É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Ser feliz é deixar viver a criança livre, alegre e simples
que mora dentro de cada um de nós.

É ter
maturidade para falar "eu errei".
É ter ousadia para dizer "me perdoe".
É ter sensibilidade para expressar "eu preciso de você".
É ter capacidade de dizer "eu te amo".
É ter humildade da receptividade.
Desejo que a vida se torne um canteiro
de oportunidades para você ser feliz...

E, quando você errar o caminho, recomece.
Pois assim você descobrirá que ser feliz
não é ter uma vida perfeita.
Mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância.
Usar as perdas para refinar a paciência.
Usar as falhas para lapidar o prazer.
Usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência.

Jamais desista de si mesmo.
Jamais desista das pessoas que você ama.
Jamais desista de ser feliz, pois a vida é um obstáculo
imperdível, ainda que se apresentem dezenas de fatores a demonstrarem o contrário.

"Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

Fernando Pessoa

Escrito por Míriã Barbosa às 12h32
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06/07/2006


  A HISTÓRIA DO ZÉ DA ALEGRIA

 Havia uma fazenda onde os trabalhadores viviam tristes e isolados.
Eles estendiam suas roupas surradas no varal e alimentavam seus magros cães com o pouco que sobrava das refeições.
Todos que viviam ali trabalhavam na roça do Sr. João, dono de muitas terras, que exigia trabalho duro, pagando pouco.
Um dia chegou ali um jovem agricultor em busca de trabalho. Foi admitido e recebeu como todos, uma velha casa para morar enquanto trabalhasse ali. Vendo a casa suja e abandonada, o jovem resolveu dar-lhe vida nova. Cuidou da limpeza e, em suas horas vagas, lixou e pintou as paredes com cores alegres e brilhantes, além de plantar flores no jardim e nos vasos. A casa limpa e arrumada destacava-se das demais e chamava a atenção de todos que por ali passavam.
Ele sempre trabalhava alegre e feliz na fazenda, por isso tinha o apelido de Zé Alegria. Os outros trabalhadores perguntavam: "Como você consegue trabalhar feliz e sempre cantando com o pouco dinheiro que ganhamos?"

O jovem olhou para os amigos e disse: "Bem, este trabalho hoje é tudo que eu tenho. Ao invés de blasfemar e reclamar, prefiro agradecer por ele. Quando aceitei trabalhar aqui, sabia das condições. Não é justo agora reclamar. Farei com capricho e amor aquilo que aceitei fazer." Os outros, que acreditavam ser vítimas das circunstâncias, abandonados pelo destino, o olhavam admirados e comentavam entre si: "Como ele pode pensar assim?". O entusiasmo do rapaz, em pouco tempo, chamou a atenção do fazendeiro, que passou a observá-lo a distância. Um dia o senhor João pensou: "Alguém que cuida com tanto carinho da casa que emprestei, cuidará com o mesmo capricho da minha fazenda. Ele é o único aqui que pensa como eu. Estou velho e preciso de alguém que me ajude na administração da fazenda". Num final de tarde, foi até a casa do rapaz e, após tomar um café fresquinho, ofereceu ao jovem o cargo de administrador da fazenda. O rapaz aceitou prontamente. Seus amigos agricultores novamente foram lhe perguntar: "O que faz algumas pessoas serem bem sucedidas e outras não?". A resposta do jovem veio logo: "Em minhas andanças, meus amigos, eu aprendi muito e o principal é que: não somos vítimas do destino. Existe em nós a capacidade de realizar e dar vida nova a tudo que nos cerca. E isso depende de cada um".

(autor desconhecido)


Escrito por Míriã Barbosa às 14h32
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27/06/2006



Escrito por Míriã Barbosa às 20h42
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Escrito por Míriã Barbosa às 20h20
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Escrito por Míriã Barbosa às 20h19
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Escrito por Míriã Barbosa às 20h18
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INDIFERENÇA
Mario Quintana

"O que mata um jardim não é o abandono...
o que mata um jardim é esse olhar vazio
de quem por ele passa indiferente."

Escrito por Míriã Barbosa às 20h14
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Havia um elefante que todos os dias passava por cima de um formigueiro e sempre destruía a entrada. Um dia, as formigas desse formigueiro fizeram uma reunião e decidiram que a próxima vez em que o elefante passasse por ali, elas o matariam!
No dia seguinte, elas ficaram à espera, e quando o elefante passou, elas subiram nele. O elefante se sacudiu e todas as fomigas caíram, menos uma, que se agarrou ao pescoço do elefante.
Então todas que foram pra baixo começaram a gritar:
- Esgana ele, esgana ele !!!!!

Nesses  últimos meses, venho me sentindo a formiga que sobrou esganando o elefante, ouvindo as lá de baixo gritando mas nenhuma pensado em subir e me dar uma forcinha...

Sou centralizadora, sou mandona, detesto esperar, detesto pedir também...então porque  estou espantada e reclamando de uma coisa que eu mesmo procuro, que em parte é culpa minha?

Porque não sei, mas estou quase deixando o elefante em paz...e só viver carregando folhinhas.

Escrito por Míriã Barbosa às 20h01
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"Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo
nos deixa irritados.  Difícil é expressar o seu amor a
alguém que realmente te conhece, te  respeita e te
entende. É assim que perdemos pessoas especiais"...

Escrito por Míriã Barbosa às 19h56
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Esta menina tão pequenina
quer ser bailarina.
Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.
Não conhece nem mi nem fá
mas inclina o corpo para cá e para lá.
Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri.

Roda, roda, roda
com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.
Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.

Esta menina tão pequenina
quer ser bailarina.
Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir
como as outras crianças...

Cecília Meireles


Escrito por Míriã Barbosa às 19h50
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24/06/2006


Queria ter um ouvido capaz de ouvir chuva de sementes

no mato e não se confundir.

Um coração capaz de tocar Mozart sem pressa

e ao mesmo tempo não silenciar, nem estagnar.

Uma alma capaz de dormir sem febre

e um corpo que não acordasse no meio da noite

só pra constatar que ainda é madrugada antes do clarear

Escrito por Míriã Barbosa às 23h49
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"Depois, o areal extenso...
Depois, o oceano de pó.
Depois no horizonte imenso
Desertos... desertos só..."
(Castro Alves)

Escrito por Míriã Barbosa às 23h33
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"Minha força está na solidão.
Não tenho medo nem de chuvas nem
de grandes tempestades soltas...
pois eu também sou o escuro da noite."

CLARICE LISPECTOR

Escrito por Míriã Barbosa às 23h29
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